Ibicora: Gestor eleito acusado de comprar votos com dinheiro falso.

04/12/2012 10:40

 

Tradição do passado que a modernidade ainda não conseguiu acabar, a compra de votos  em "currais eleitorais" do interior baiano geralmente é feita com sacos de cimento, telhas, dentaduras ou geladeiras de segunda mão. O que teria ocorrido no município de Ibicoara, a 520 km de Salvador, na Chapada Diamantina, é algo insólito: os votos foram comprados na eleição de prefeito deste ano, com dinheiro falso e cheques pré-datados sem fundo. É o que denuncia a atual prefeita de Ibicoara, Sandra Regina Gomes Vidall (PCdoB), que perdeu a reeleição para Arnaldo Silva Pires (PSL) por uma diferença de  43 votos.

O procurador da prefeitura de  Ibicoara, José Edmar da Silva, ligado a Sandra, disse que foi chamado por 29 eleitores da zona rural do município, queixosos de terem vendido os votos para Pires em troca de cédulas falsas de R$ 100 e cheques sem fundo. Ele orientou os "prejudicados" a registrarem a denúncia em escritura pública, no Tabelionato de Notas da Comarca de Mucugê. Acredita que ao colaborarem para desvendar a suposta fraude, os eleitores podem escapar do processo por vender os votos.

Cédulas - Junto com os depoimentos, Silva recolheu várias cédulas falsas e folhas de cheques pré-datados, assinados pelo vereador Ricardo Silva Luz (PSL), e encaminhou representação à Procuradoria Regional Eleitoral para tentar impedir, judicialmente, a diplomação do prefeito eleito Arnaldo Silva Pires no dia 19 de dezembro. A prefeita Sandra Regina se diz ameaçada pelo grupo do adversário e acusa a polícia de "estar do lado dele". 

O procurador regional eleitoral Sidney Madruga disse que, de um lado, pediu à Polícia Federal  para abrir inquérito criminal e apurar a origem e utilização das cédulas falsas e, do outro, encaminhou denúncia para a Procuradoria Eleitoral de Ibicoara investigar o caso da suposta compra de votos.

Esclareceu no entanto, que a princípio,  não será possível impedir a diplomação do prefeito eleito. "Existe um prazo de entrar com recurso, mas somente 15 dias após a diplomação, denunciando eventuais fraudes", disse. Caso, de fato, seja comprovada a compra de votos com dinheiro falso, Sidney Madruga admite que seria um caso inédito. "Só mesmo na Bahia", disse.

Em relação aos eleitores arrependidos, disse que eles também devem ser responsabilizados por vender o voto. Mas o fato de ajudarem a investigação pode atenuar eventuais penas a que forem condenados. 

Chover - Madruga explicou que casos como o de Ibicoara devem ser tratados com cautela, pois   geralmente surgem devido à briga política entre adversários. Ele calcula que a partir de agora, passada a eleição, "vai chover muita coisa nesse campo de compra de voto e abuso de poder econômico". São ações de grupos políticos derrotados e de promotores regionais relacionados com a disputa política deste ano.

Fonte: Voz da Bahia (ATARDE)

Por: MURILO MOURA DRT/BA 4157

 
 
 


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